Médico, assim como o primo de Fernando Pessoa, que o atendeu até os momentos finais, António Chibante relata, com detalhes, a morte de um dos grandes do nosso idioma pela voz do colega de profissão. Nada do diagnóstico e do tratamento lhe escapa até os momentos finais. Por outro lado, como a morte é atemporal, o poeta retorna para uma despedida, pendente, em Belém.
Respeitando a vida real do personagem o autor evita, porém, o óbvio de nos apresentar uma biografia já bastante conhecida. Com os percalços e os sentimentos de Pessoa na mão, Chibante decifra-lhe a alma e os versos. Escrevendo com delicadeza, cria frases preciosas que levam o leitor à dúvida: são de Chibante ou de Pessoa?
Num texto surpreendentemente sensível, ágil e lírico, Chibante desenvolve o livro com uma alegoria à perenidade e universalidade da obra de Fernando Pessoa. O resultado é este pequeno grande livro, indispensável para quem verdadeiramente ama a literatura.
Ângela Dutra de Menezes
