A geração de todos os sonhos

Vitor Figueiredo

Vitor Figueiredo

Era julho e as aulas tinham acabado…

Assim começa por escrever Pedro, 16 anos, no seu inseparável caderninho, no primeiro dia de férias na Fonte da Telha. 

Estamos nos anos sessenta do século XX. 

O rapaz sabe que vai reviver velhas amizades e fazer novos amigos. 

Espera divertir-se, como nas aventuras do ano anterior.

Mas há coisas de que não suspeita. 

Apaixona-se, descobre factos extravagantes, e é aceite pelos seus ídolos, mais velhos e politizados, vivenciando as mais fortes emoções. 

Por isso decide ir contando, na primeira pessoa, o que vai acontecendo à sua volta.

De regresso às aulas, além de contestatário, é vocalista de uma banda, que, somada aos namoros e às festas, impedem o normal decurso dos estudos. 

O sucesso do grupo é modesto, mas a vaidade proporcionada faz dele um bon-vivant, muito à custa de Romy, a nova namorada rica e exuberante.

Rosarinho dá-lhe explicações para que acabe o ensino secundário.

Porém, há um segredo que a família esconde de Pedro! Sofre uma depressão; é Rosarinho que o trata. 

Agora Pedro trabalha e estuda arduamente. 

A seguir, já na universidade, inspirado pelo amigo Daniel e por Rosarinho, ganha consciência política e envolve-se nas lutas estudantis.

Quem será afinal Rosarinho? Mantém ou não uma velha relação com Nelson, desde aquelas férias? Pedro fica indeciso entre ir à tropa e emigrar. 

Escolhe a primeira opção. 

A estada em África começa com um deslumbramento. 

Chegado à Guiné, reencontra os seus indefetíveis amigos, Beto e Daniel. 

Não podia estar em melhor companhia! Mas cedo se apercebe da violência e do absurdo da guerra. 

No mato, para onde vai, não há ar condicionado. 

E só existe um lema: Ou matas ou morres!

Pedro vivencia a mais dura das experiências. 

Mas aprende muito sobre o país real e a natureza humana. 

O estoicismo e a amizade são agora os valores que norteiam as suas prioridades.

Incapaz de aceitar a ideia de ferir e de matar, toma uma decisão arriscada, quando vem de férias à Metrópole. 

Para tanto, vive várias peripécias, que descreve com emoção, incerteza e culpabilidade.

Com os sonhos sempre adiados, mas com a preciosa ajuda de Rosarinho, da família e dos amigos, aprende a gerir os sucessos e os desaires.

E revisita agora com saudade e ternura aquelas férias na Fonte da Telha, em que muitas das coisas que viriam a influenciar o seu futuro imediato e longínquo se jogaram e se precipitaram

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