Os movimentos de juventude que sacudiram o mundo em meados do século XX, alterando sensivelmente os padrões de relações sociais, notadamente no campo da autoridade, consagraram seus atores ao ponto de lhes render a imagem de seres mitológicos. O mito daGeração anos 60 enche de orgulho contemporâneos daquela época; desperta curiosidade e encantamento nas gerações subsequentes, e ainda hoje causa arrepios em seus opositores, sejam os que a combateram na origem ou outros que vieram depois, mas igualmente desdenham suas memórias.
Certamente, em virtude da força e alcance do mito, as celebrações e louvores aos anos de 1960 não costumam distinguir categoricamente os protagonistas da revolução cultural que então se operou, abrindo ensejo ao pressuposto – perceptível no senso comum – de que toda a geração realizou a obra. Alguns trabalhos científicos enfatizam a distinção, porém não a aprofundam.
À procura de identidade constitui o resultado da tentativa em revisitar o tema sob a perspectiva das diferenças. E empreende o propósito circunscrevendo a abordagem ao caso brasileiro.
Redigido na forma de romance, o livro retrata a vivência, ações, dramas e diálogos dos personagens para reconstituir os processos históricos que ensejaram e culminaram nos movimentos sociais, na ampla diversidade da juventude brasileira e, consequentemente, nos múltiplos graus de relação dos jovens com as lutas contestatórias.
Delano representa a esmagadora maioria excluída. A exclusão social, política, econômica, cultural e geográfica o lança à margem das transformações aceleradas que vinham ocorrendo na economia e na sociedade. A exclusão inviabiliza sua participação e expressão enquanto jovem.
