O livro de António Manuel Lopes Dias, As Esquinas do Tempo, encena na sua estrutura uma viagem que, partindo de um espaço exterior, se vai progressivamente interiorizando até ao poema final. As palavras tomadas a Pessoa/Bernardo Soares que encerram o livro – “já vi/ tudo que nunca tinha visto/ já vi tudo que ainda não vi ”
Conferem a tal viagem o duplo sentido de peregrinação que, como a de Fernão Mendes, não é apenas percurso deslumbrado pelas sete partidas do mundo, mas também busca de si-mesmo e contínua reflexão. E como tal, viagem no tempo da memória que os espaços vividos alimentam – espaços físicos e espaços literários, pois também a literatura é substância deste livro.
