As Papaias da Guiné

António Coelho Ferreira

António Coelho Ferreira

O recurso à violência e ao terror no estertor do Império, na alvorada da libertação dos povos dominados. As tribulações de uma geração de jovens atormentados, manipulados, vítimas da ignorância que alimenta a opressão cega e irracional, sob um nevoeiro de heroicidade e patriotismo difusos. Mas  herói  é  essencialmente  o  “soldado  desconhecido”  sobre  cujo martírio se erguem os caboucos das Nações e os pedestais de “vultos de renome”. A atuação contraditória dos descendentes de um Povo que conquistou sua autonomia, a ferro e fogo; mas que a negava a povos amigos que contactou por ignotas paragens. Pavor e incertezas de vida de quantos, um dia, largaram os seus familiares,  à  procura  de  vida  melhor,  com  a  promessa  de  segurança,  num “esforço de civilização”. O poilão de Brá, futuro abrigo dos conluios precedentes de cruel chacina intestina dos filhos de Bissau. A emoção de lhe perder a copa de vista, na curva  do  horizonte  marítimo,  vivida  a  sós,  em  inefável  sensação de poesia libertadora.Pelos resultados se avalia a bondade dos procedimentos. Mas o ódio foi cinza, sob a qual se manteve e crepitou a brasa da amizade e do amor. Ele é fogo. E tem asas.E de novo a convivência renasceu e passou a borbulhar na margem do Tejo, junto ao Monumento de todas as partidas e chegadas. Ponto de encontro de corações comprometidos. Das tribulações de uma geração germinou a Democracia. A aspiração última é a perenidade; mas tudo na vida é efémero e relativo.

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