Senhorita Safo vive em mim e muitas vezes me arrasta. É visceral, mundana, impulsiva, sexual, implacável. Não teme a dor, não espera aprovação, não joga o jogo das relações, e adora estar sozinha. Minha vida só ganhou paz quando a deixei escrever. Ela divide comigo minha biografia, nem sempre com prazer, e está se lixando para o meu currículo. Porque ri do passado e do futuro. Senhorita Safo só existe no agora. Mas, todos que a leem a conhecem, e esperam, às vezes, que eu seja ela. Não sou. Não tenho coragem. Eu sou apenas mãos que escrevem.
Nanna de Castro