Luís de Trás-dos-Montões viveu numa época de abusos e pobreza, queria ser Camões mas tinha a língua e as vivências de um louco de Gil Vicente.

Trabalhava em part-time como bôbo-da-corte e sacristão para poder comprar uma bicicleta francesa.

As ovelhas que pastava ostentavam rastas brilhantes, comiam-lhe as flores mais gordas e falavam um dialecto próprio.

Sonhava fazer stand-up comedy em língua gestual portuguesa, mas nunca aprendeu a assinar.

Nos tempos livres estudava cactos e magia.

À noite dormia.

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