Maria Otília de Abreu Morais nasceu em Figueiró dos Vinhos, mas muito cedo rumou a Moçambique onde decorreu toda a sua infância e adolescência. 

África exerceu sobre ela uma forte influência. Os espaços vastos, os areais, os mares, todo o agreste feitiço da liberdade em que cresceu, inculcaram na sua personalidade a rebeldia, a busca constante pelas contradições e inquietações que a sua alma sensível deixa transparecer em toda a sua obra. O poema Fala-me (desta obra) é bem testemunho dessa influência.

Engenheira Química de formação, não foi na ciência que encontrou resposta para a sua alma inconformada, para os mistérios da vida e da morte, patentes em todas as abordagens que a sua poesia transmite. Ao ler os seus poemas somos desafiados a uma introspecção, que nos leve a questionar a própria existência, o sentido profundo da vida.

Escrever, como a própria diz, é uma vocação que não se consegue reprimir, uma exigência da alma, que acaba por ser um acto de contrição assumido.

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