Ismael Prates Margarido

 Ismael Margarido nasceu em Portugal no ano de 1957, numa aldeia fronteiriça entre as províncias do Ribatejo e Alentejo.

Quando completou dez anos de idade o pai recebeu uma nota de culpa da PIDE que o acusava de ouvir a rádio Moscovo. Nessa altura o autor foi levado a despertar para uma nova realidade escondida pela ditadura.

Durante a adolescência a mãe mandava-lhe ler os livros da escola, o pai, motorista, puxava-o para lhe ensinar a técnica dos motores. Aos dezasseis anos já conduzia tratores de grande porte, camiões, fez a sua primeira corrida com uma mota emprestada e formou um grupo musical.

Nos dias seguintes à rebelião de Abril de 1974 decidiu ir para Lisboa trabalhar com a intensão de ficar mais perto dos verões quentes da revolução. Influenciado para continuar os estudos por amigos que frequentavam a faculdade, inscreveu-se no Liceu Pedro Nunes. Assistia às aulas da parte da manhã e trabalhava à tarde. Neste estabelecimento de ensino participou nas lutas aguerridas entre fascistas, revisionistas e anarquistas.

Depois de concluir o antigo sétimo ano dos liceus, foi obrigado a cumprir dois anos de serviço militar na Marinha Portuguesa, onde, devido à sua luta constante para a aprovação da lei que autorizasse a opção de se poder ser objetor de consciência, foi castigado várias vezes e expulso de cursos.

Decidiu inscrever-se no ano propedêutico para poder ter acesso a uma candidatura na faculdade. Nesta altura os estudos começaram a ocupar progressivamente o tempo dedicado à música e à competição. Queria um curso que lhe mostrasse como se desenvolveu o homem anónimo e intemporal. Por isso foi dos primeiros a candidatar-se a uma licenciatura em Antropologia lecionada em Portugal. Continuou a trabalhar e a suportar as suas despesas, criando cada vez mais hábitos de leitura. Para a tese de licenciatura elaborou um trabalho ao jeito de monografia sobre uma aldeia da Beira Baixa com o título “Castelo Aldeia Até Quando”, editada pela Câmara Municipal de Mação.

Trabalhou em vários ministérios públicos. Quarenta anos depois, e já na situação de reformado, resolveu voltar a escrever outro livro: “Por Baixo do Asfalto”. Com mais de sessenta anos, e sempre que reúne as condições necessárias, continua a participar em competições de moto e automóvel.

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