Jacinto Ramos

Nascido de um banal casal de primos já bem maduros numa pequena e pacata aldeia do centro de Portugal, onde fui crescendo sem sobre mim sentir passar o tempo nem me ter faltado nada de essencial. Por ali fui crescendo de corpo e de mente ajudado por um bom ambiente. Depois de uma básica e breve escolaridade que escolhi limitar, logo enveredei numa primeira profissão de pastor para o nosso gado guardar.

Também eu fiz aquele erro de criança!

Que era de estar apressado de ser grande, desconhecendo que era a época mais tranquila que estava então a passar e que nesta vida, para mim outra assim não iria voltar!

E quando me senti com um pouco de força nas azas, sem experiência e sem medo do enjoo, ainda menor, lancei- me um belo desafio, e dando um salto de gigante, consegui levantar voo, que este bem sucedido acabou por me transformar para a vida, em banal estrangeiro em todo o lado, que é o fado do emigrante. Já tinha escolhido esse destino desde criança e assim meia dúzia de anos depois acabei por me encontrar em França, sozinho a procurar ali me adaptar e evitar logo à chegada algumas pontas gelar.

Com o tempo que foi passando e com garra e perseverança me fui adaptando e integrando, por ali o trabalho sempre me encontrou porque eu também nunca procurei evitá-lo. E como muito tentei em acabar com ele fui avançando, mas a carcaça deveras usando.

Um amor complicado também ali comigo se cruzou e alguns belos frutos ajudou a germinar crescer e amadurar, e que até novos rebentos nos trouxeram para admirar.

Mas agora cansado, mas reformado vou colhendo as múltiplas consequências daquelas que foram as minhas decisões e experiências daquele presente agora passado. E aproximam-se a grande velocidade os 50 anos de emigrante que tanto me fizeram avançar, e até em idade!

Jacinto Ramos

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