Tenente Oliveira

 "Nasci no Minho, no seio de uma família com sete irmãos, o quarto seguindo as idades. Ainda no tempo que na escola primaria nos era oferecido uma pequena bandeira, que portava-mos junto à estrada a propósito da passagem do Presidente da Republica, em que os professores nos pediam para trazer uma roupa melhor, pois tal dia viria o Inspector.Nos caminhos se aparecesse um GNR de bicicleta com a sua espingarda Mauser, sem razão  fugíamos, pois alguém se encarregava de dizer "vem aí a Policia". Pessoal fardado, só admirávamos os militares que partiam para a Guerra de Ultramar.Conclui o Curso Liceal e viajei por França, trabalhando nas vindimas na região do Champanhe, para me financiar. País diferente e evoluído naquela altura.Em Março/82 ingressei na Escola Prática de Infantaria em Mafra, onde fiz o Curso de Oficiais. "Uma vez Infante, Infante sempre...". Fui colocado no R. I. Chaves, como 152 Aspirante, onde me atribuíram cerca de 40 civis para que deles fizesse militares capazes. Foi uma experiência pessoal única, homens capazes de dar a vida pelo seu camarada, lutadores e cumpridores do seu dever. Com eles passei um ano que jamais esquecerei.Já como Alferes fui colocado no R. I. C. Branco.Cidade onde conheci a minha adorada esposa. Ali nasceu nossa filha (aos nossos olhos o rebento mais lindo da Natureza).Em Outubro/87 optei pela vida civil, com direitos sociais das Forças Armadas fruto de incapacidade obtida ao serviço da segurança do País.Passei a ser um comercial, desenvolvendo o negócio da Vieira de Castro em cinco distritos no centro e sul. (...)Através  de uma proposta de trabalho a 1/01/95 a nossa residência passou a ser Setúbal. Comercial também, na vertente de moda íntima. Um novo desafio mas grato, nas reuniões de trabalho para apresentação de novos modelos com manequins vivos, apareciam  desenhadores de moda divulgando as tendências, pessoal do marketing para o suporte das vendas e o sempre chato objectivo a cumprir. Com isso conheci uma parte do mundo. (...)Chegado o ano de 2010 entrei na situação de desemprego involuntário. Uma dor de cabeça "velho para trabalhar, novo para reforma", pois é assim que pessoal da minha idade é tratado. Comecei a entrar em declínio mental, mas sem depressões que levassem a consultas por especialistas.Mas uma situação difícil, ver todos os dias minha esposa e minha filha partirem para o trabalho e eu em casa a ver televisão, ou no café da proximidade sem nada útil para fazer, lendo por vezes o pensamento da vizinhança a meu respeito e sem soluções para mim.Um dia atrás do outro e cada dia que passava mais "burro" me sentia. Até que descobri uma palavra no dicionário (que significa confiança na aquisição de um bem que se deseja...)  a  "esperança". Depois de descoberta, faltava trabalha-la e dar-lhe sentido na minha própria  vida. Foi quando me começaram a surgir ideias e porque não escrever. Dediquei-me à escrita e agora que tenho o livro pronto para que o possa ler, espero que tenha tanto prazer em o ler tal como eu tive em o escrever".

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