Valentim Caetano

 Menino de aldeia na década de 50 do século passado, cresceu rapidamente por força do trabalho que, à maior parte das pessoas, sujeitavam esses tempos.Aos onze anos trabalhava na agricultura de subsistência, que era a de todos na sua aldeia ribatejana. Com essa idade teve a sua primeira jorna: Dez escudos, cinco cêntimos do euro por um dia de trabalho.Aos doze anos veio trabalhar para Lisboa, numa mercearia. Contudo, ao fim de dois meses teve muitas saudades da mãe e foi-se embora.  Já tinha dinheiro para a camioneta, mas foi de sapatos rotos.Aos catorze anos resolveu voltar a Lisboa. As alternativas não eram muitas e aí podia aprender uma profissão, dizia-se. E aprendeu. Trabalhou, até ir para o serviço militar, a arranjar automóveis.Aos dezoito anos auto propôs-se a exame do primeiro ciclo do liceu. As coisas correram bem e no ano seguinte fez a área de letras do segundo ciclo. Estava a preparar a área de ciências quando foi chamado para o serviço militar. Tinha 20 anos.De 1971 a 1973 esteve na guerra em Angola, sempre no mato. Dois anos que o marcaram muito, não pela guerra que não foi muita, mas por se ter apaixonado pela deslumbrante natureza africana. A África profunda entranha-se, sabe quem lá esteve. A revolução acabou com a intenção que tinha de voltar para lá.Trabalhando na banca, concluiu o 5.º ano do liceu no pós-tropa. Aos trinta e um anos, casado e com dois filhos, voltou a estudar, concluiu o 12.º ano e ingressou na Universidade Clássica de Lisboa onde se licenciou em Direito, sempre à noite. Fez a agregação à Ordem dos Advogados e continuou na banca, como advogado.Tem 63 anos e vive com o cão.Reparte o tempo entre Cascais e uma aldeia alentejana, onde faz, por gosto e sem pretensões, alguma agricultura.Amante do trabalho, do conhecimento, da leitura, só há algum tempo se dedicou a expressar-se por escrito, sendo esta a sua primeira publicação.

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