“Portgual já não faz parte da Europa, já não faz parte do Euro, já não faz parte da realidade. Portugal ora não mais é que a anémica e envergonhada miragem de uma porção de lama sacudida para a extremidade mais occidental do Velho Continente, este um torrão à mercê de insondáveis desígnios.”
O que faz a diferença desta obra, perspicaz e corajosa, é ser de um diário de borde de alguém que atravessou o mar poluído da nossa tristeza.
Acordados, atentos, no mar vivo da democracia, iremos recusar a ignorância supine, a cultura manca, os diplomas de Universidades “primárias”, o sindicato da corrupção, falta de hygiene mental que permitiu estas dinastias distópicas. O autor indentifica, com arte e saber elevados, os desvios e desvarios por elas perpetrados. E tudo num trabalho de excelente valos literário. Fascinante, na sequência das sátiras de rotina, e, mais ainda, na surpresa dos poemas, catárticos, que nos permitem sublimar a ira acumulada.
Belmiro Nariño(do prefácio)
Este livro é um minucioso e franco retrato do Portugal actual, uma denúncia destemida de uma politica cujo desígnio é arruinar o pais – mas é também, e fundamentalmente, um estrondoso e potente rebentamento de indignação e uma legítima exortação à revolta.
