Corona: Diário de uma Quarentena

Franck Muíla

Franck Muíla

Mesmo livres mas presos dentro da Mapunda.

Dizem que quarentena é uma coisa rara, que não aparece as­sim à toa tipo eclipse do sol ou da lua, tipo Dilúvio de Noé, tipo praga bíblica, tipo holocausto, tipo queda do Muro de Ber­lim, tipo Adolfo Hitler. Quarentena aparece em cada 100, 200 ou 500 anos. A última quarentena apareceu no ano da última Guerra Mundial, me disseram. Aí, então, parece foi pior. A mor­te era enviada não com um vírus Corona do Oriente, mas com aviões e tanques e blindados da Germânia, da URSS, da Fran­ça, da América, da Inglaterra, do Japão, da África também.

Coitada da África. Também?!

A África sempre não faz nada, mas tudo ela é que paga e de­pois lhe pagam ainda mais para pedir desculpas. Ou melhor falando, as bombas caiam nessas terras aí, mas era a terra de África que sofria, estremecia e apanhava os estilhaços e sentia a dor, a quentura do fogo e inalava o fumo, e se tornava antigo combatente, veterano de uma guerra que não combateu.”


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