Deste Lado

Carlos Esse

Carlos Esse

“De início, esses assuntos pouco me importavam. Os adultos que se entendessem. Se muitos não tinham juízo, não era eu, com seis, sete ou oito anos, que os iria educar. Eu tinha era de cuidar da minha própria educação, aprender tudo quanto pudesse o mais depressa possível. Os miúdos não se conformam nem acomodam como frequentemente os crescidos. Eu cá, não”.

“E como seriam os barcos e os comboios de que ouvia falar e via em desenhos ou ilustrações? Diziam, aqueles estupores, que os comboios eram quase como as camionetas do Amândio, mas ainda maiores, constituídos por algumas amarradas em fila e que andavam em caminhos de ferro. Que descaramento. Podia lá ser? Eu só conhecia caminhos de terra, os mais deles muito íngremes, estreitos e pedregosos. O ferreiro e a esposa gastariam toda a vida só para fazerem um pequeno pedaço de caminho de ferro, era fácil perceber. Nem ao Vilar chegariam. Pensavam que me enganavam assim sem mais nem menos, mas eu não me convencia. A maior parte dos caminhos de terra eram muito maus, mas se fossem de ferro seriam ainda piores, pois evidentemente”.

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