E ainda... O PRINCIPAL

Cremilde Esteves

Cremilde Esteves

Década de sessenta em Bragança. Num mundo em transformação, quatro raparigas esforçam-se por concluir o ensino secundário num Liceu que poderia ser o prolongamento de qualquer Liceu do seu país. Vindas de aldeias rurais, mundos onde prevalece a obscuridade e todas as ignorâncias na pobreza do ser, as nossas heroínas acalentam o sonho de se libertarem das apeias duma sociedade fechada e começarem uma nova vida. Ei-las em permanente rebuliço:

Laura, não descurando os estudos, gosta de os alternar com actividades sociais, de certo modo mundanas, Teresa, de carácter influenciável, deixa-se enterrar precocemente num casamento atabalhoado, sem excessos de luta contra as normas estabelecidas duma condição feminina, admitindo, mais tarde, ter dado uma importante volta na sua vida. Graça, achando-se um espécime privilegiado da elegância brigantina, é invadida pela vontade férrea de viver o amor em toda a sua plenitude e Joana que sucumbe a uma ânsia de encontrar o apogeu duma libertação vivencial absoluta.

O Largo do Principal simboliza todos os Largos onde pudessem existir jovens que estudassem numa cidade pequena de província. As suas histórias, dos dias felizes que os conduziam, sobrepunham-se, ali, em alegre catadupa, manietando as desconfortáveis situações decorrentes da normalidade da vida.

De tal modo o Principal se lhes impôs, que passou a fazer parte da sensibilidade das nossas quatro heroínas, ao longo de todo o resto das suas vidas.

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para lhe oferecer uma melhor experiência e serviço.
Para saber que cookies usamos e como os desativar, leia a política de cookies. Ao ignorar ou fechar esta mensagem, e exceto se tiver desativado as cookies, está a concordar com o seu uso neste dispositivo.