Flores (ser) após um inverno agreste

Célia Sequeira

Célia Sequeira

Alguém com os olhos de cor clara, mas de olhar acamado de negro, me comunicou que o meu tumor era maligno. Os meus ouvidos captaram a notícia e imediatamente o impulso foi transmitido a todo o corpo.
Sentia que iria ficar prostrada perante a audição de uma frase curta, mas calçada de palavras urticantes. Resisti à violência do tsunami e sustive as ondas salgadas que ameaçavam vestir grande amplitude. Nos dias seguintes, o paredão abriu brechas e as ondas desafogadas enterneceram o meu olhar. O hipocentro da notícia descarregou toda a minha energia. Contudo, urgia fazer todo o trabalho de remoção dos escombros.
O limite entre a fraqueza e a força não estava bem de definido. O Sol desencarcerou os seus raios e evaporou a água do chão alagado.
Havia novamente condições para a vida brotar e florescer.

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para lhe oferecer uma melhor experiência e serviço.
Para saber que cookies usamos e como os desativar, leia a política de cookies. Ao ignorar ou fechar esta mensagem, e exceto se tiver desativado as cookies, está a concordar com o seu uso neste dispositivo.