“Vai caçar gambozinos” é uma das frases mais enigmáticas que escutei na infância. Que bicho seria esse que se caçava? Só com o tempo compreendi que afinal os gambozinos não existiam. Mas isso pensava eu, porque afinal há gambozinos, e ele é cada um! Fez-se assim um tratado da sua anatomia, do seu comportamento, da sua reprodução, do seu habitat, da sua caça e confecção, entre outros. Ao mesmo tempo fantasmas, alguns de carne e osso, deambulam pelas páginas em busca de libertação de memórias fortuitas na terra da qual sou pó? e hei de tornar, a Serra. O semblante atormentado de Cristo assombra esta poesia traçada de polifonias de afinações arcaicas, cuja pura harmonia das esferas transfigura o movimento circular uniforme da roda da fortuna onde pendem caricaturas vivas da meninice escarradas pelos transeuntes.
