Beatriz
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Beatriz

Sinopse

...Lentamente, com a alma na ponta dos dedos, e com os amigos a fingir que não davam demasiada atenção, foi descolando a fita adesiva e tirando o papel. Apareceu uma pequena caixa de cartão, daquelas que se usam nas ourivesarias para pôr as coisas miúdas. Abrir o embrulho era como ouvir uma sentença.

Lá dentro, e meio escondida num algodão azul claro, estava uma medalhinha de ouro, dessas que se dá aos miúdos no baptizado, a mostrar marcas de mordida. Nem se percebia bem qual era o santo, tendo em conta as amolgadelas. E havia um recado, escrito em letra minúscula, num papel dobrado: “Esta medalha deram-ma quando nasci; gostava que o Gonçalo a aceitasse, e que assim continuasse a lembrar-se de mim. Com um beijinho da Beatriz”.

O Gonçalo tirou os óculos de ver ao perto, voltou a dobrar o papel, depois de o ter lido outra vez, e guardou-o na caixa de cartão. Mais próximo do céu, só se fosse numa nave espacial, ou coisa que o valha. E ao ver que os amigos estavam à espera que ele revelasse o que estava escrito (a medalha, tinham-na visto), atalhou qualquer pergunta, com aquele ar meio satisfeito, meio misterioso:

- Foi a Beatriz que me mandou esta medalha; eu disse-lhe na brincadeira que um dia ela me daria uma coisa qualquer em troca do alfinete, e olhem, resolveu assim o assunto...

E nem ouvia bem o que eles lhe diziam: - Sim senhor, que giro, eu não te disse, está como tu, caidinha... – nem via bem onde estava, só apertava na mão a medalhinha, porque não podia apertar a Beatriz contra o peito... E pensava que tinha que lhe telefonar a dizer qualquer coisa, agradecer, ou então ir lá; fosse o que fosse, parado é que não.

- Agora nada de andar por aí a comentar. Vejam lá...

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