Brasil em Transe
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Brasil em Transe

Sinopse

Armênia sabia que Inácio tinha razão. Mesmo assim, ela achava que ele poderia ter sido mais duro em algumas circunstâncias. A aprovação do seu governo permitia um embate mais austero com os que fazem da vida pública um mecanismo de enriquecimento ilícito. Talvez as energias do presidente estivessem canalizadas em excesso para a sua ideia de manter o projeto político por muito tempo. É provável que se ele tivesse assumido o risco de perder o poder em troca de uma limpeza ética na política, as conquistas sociais fossem menores. Quem iria saber? A promiscuidade das relações do poder público com o privado incomodava Armênia, e ela sentia a ausência do presidente nessa questão. Ele, porém, lhe mostrava os inúmeros mecanismos aprovados para dar transparência à coisa pública, com o fortalecimento da Polícia Federal, do Ministério Público e de outros órgãos de controle. Armênia aquiescia: “de fato, muito fora feito, mas ainda não era o bastante”. A cultura do jeitinho e da corrupção endêmica não se elimina da noite para o dia, nem com gestos heroicos.

Ângelo entrou no quarto de Inácio e ficou contemplando aquele homem já idoso, de cabelos ralos e prateados, rosto redondo e sereno. Inácio abriu os olhos e não pareceu surpreso. De alguma forma esperava aquele encontro. Sentou-se na cama e ficaram se olhando, calados, por demorado tempo. O menino sorriu e deixou à mostra os pequenos dentes muito brancos. Seu rosto se transmutou, e Inácio viu nele a figura de Joaquim, seu pai, e o ouviu dizer que novos tempos haveriam de florir no Brasil, em breve: “Vim para isso, para dar seguimento à obra de construção da igualdade e do progresso, com olhos voltados para o s menos favorecidos”. Ângelo virou-se, fez um aceno de adeus e saiu do quarto, chamando pela mãe.

 

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