Camaleão
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Camaleão

Sinopse

"A certa altura passámos por um homem, o negro da tez em profundo contraste com a cabeleira alva, olhar perdido como se, através da enorme e multicolor serpente de carros, pudesse vislumbrar outras migrações. Imóvel, encostado a uma velha pasteleira, era a testemunha improvável deste povo que, abandonando a terra prometida, onde corria leite e mel, se lançava ao deserto, para quarenta dias ou quarenta horas de provação, não o sabia decerto o velho, nem tão pouco os integrantes da caravana (...)
A caravana passou, o velho ficou, não sei se lá estaria mesmo alguém ou se era apenas África a despedir-se dizendo: vai, não olhes para trás, não voltarás mas nunca me deixarás, esse é o teu legado, a tua herança, a tua maldição."

Um dia, entrei na tenda procurando meus irmãos, a família estava toda reunida em volta da mesa, alguns amigos também. Cantaram-me os parabéns e acenderam dez velas espetadas num bolo trazido do exterior por mão amiga. Havia biscoitos e laranjada. E eu chorei, o medo e a raiva, tanto tempo reprimidos, corriam agora livre e incontroladamente, com sabor mais amargo que salgado, o camaleão não conseguia mudar de cor e, o que era pior, não sabia se esta que trazia era a original. Não seria, nunca mais conseguiria reproduzir a cor original, nem ele nem todos os miúdos e graúdos que deixaram farrapos de alma espalhados pelo tempo e pela distância consumidos em direcção a lugar algum. (...) Sete dias depois aterrávamos na Portela, pisávamos, pela primeira vez em toda a nossa vida, o solo sagrado da Capital do Império. retornados, nos chamaram."

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