Cartas de Portugal em (e de) África - Algumas de Amor. Nada ridículas
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Cartas de Portugal em (e de) África - Algumas de Amor. Nada ridículas

Sinopse

Malange, 27 Junho, 1950                                                                                        

                (...) Teremos casa, também, segundo me consta pintada dentro e fora ao gôsto do indígena em  tons vivíssimos de azul, côr de rosa e verde, água corrente e clima razoável; eletricidade é que não, mas paciência. Parece que o António terá uma avença das Companhias do Algodão que lá têm plantações, e se a área fôr designada “de sono” - há tsé-tsés e casos de infecção em pretos – mais 3.000$ entram por mês e tempo de serviço contado a dobrar para fins de reforma e promoção. O panorama, como podem ver, não é nada mau e com um pouco de sorte a vida arranjar-se-á razoavelmente. Aqui em Malange, onde estou há três semanas ficaremos em casa dos meus sogros, apesar da falta de espaço; é de espantar a “pelintrice” reinante sobretudo no que respeita a Serviços de Saúde. (...)

                Fiquei abismada com o nível de vida e civilização dos negros; teoricamente, a Escravatura foi abolida no tempo do Sr .D. Luis I, e todos os habitantes das colónias, independentemente da raça ou religião, são cidadãos portugueses, livres e com os mesmos direitos. No entanto a pratica difere um tanto da teoria. E logo em S.Tomé os roceiros, senhores absolutos da ilha, contra quem nem o Governador tem poder, mantêm os tradicionais princípios e normas, que vêm no negro um animal de trabalho, só. Segundo me disse um funcionário altamente colocado no Ministério das Colónias, é costume, ainda, castigar os trabalhadores, enterrando-os vivos. Mas as coisas não ficam por aqui, podem crer. Em Angola a situação está revestida de um “verniz” superficial – tudo se faz mais discretamente mas há muita patifaria, louvado Deus, e é desoladora a situação verdadeiramente miserável em que estão os pretos.

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