Está alguém desse lado?
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Está alguém desse lado?

Sinopse

Esteve quase sempre alguém do outro lado. Em 1992, dois absolutos desconhecidos encontram-se, por um daqueles acasos da vida que poderia nunca ter ocorrido. Um encontro que se foi desenvolvendo e fortalecendo num intenso debate de ideias e opiniões. Duas pessoas curiosas, ávidas de questionar, de tentar compreender a complexidade e as contradições do mundo e da natureza humana. Dois espíritos atentos, muitas vezes antagónicos, com concepções diferentes da vida, mas sintonizados pela necessidade de sacudir o quotidiano, de virar as coisas do avesso, de tentar dar novos sentidos às coisas. Uma correspondência que começou com a era do correio electrónico e que foi fazendo caminho ao longo dos últimos vinte e três anos. Um diálogo epistolar franco, espontâneo, nem sempre regular ou amistoso, mas nunca rude, feito por dois amigos que se respeitavam e não tinham receio de expor as suas ideias, as suas convicções e dúvidas. Desse diálogo, irónico e inquieto, mesclado de humor e seriedade, leve e profundo, nasceu uma grande amizade. E este livro, que partilhamos com os nossos leitores.

 

 

Salvador Peres in “Ainda estás por aí”, em 17 março 1997 

 

Mas já fui ver o mar. O mar é a única coisa que vejo. O resto não conta. Projecto no mar todos os meus sonhos e ilusões e se um dia partir, será para lá que parto, rumo a ilhas por desvendar, envoltas num nevoeiro eterno, tão eterno que persiste a despeito do anticiclone dos Açores e das massas de ar quente das fornalhas do norte de África. Gosto do mar visto de todos os ângulos, lugares, prismas e perspectivas. Gosto do mar que se espraia numa enxurrada pachorrenta de azul, desde Troia até ao infinito; gosto do mar que afocinha cavernoso contra as falésias da Arrábida, gosto do mar que vem rolando em cambalhotas esbranquiçadas até às praias de Porto Covo. Gosto do mar português e de todos os mares do planeta, que são, à sua maneira, também portugueses.

 

 

João Coelho in “Hábitos e semelhantes”, em 21 junho 2004 

 

Concordo inteiramente que não somos iguais ao nosso semelhante, posso garantir-te que inclusive aquele semelhante com quem troco olhares de manhã, no espelho, quando me barbeio, e me olha de ar desconfiado, embora muito parecido comigo não é igual a mim. É verdade que ele se esforça, e me mimetiza, mas já reparei que o nariz dele é mais achatado que o meu e as ideias dele são demasiado curtas e conservadoras. Às vezes troco de posição com ele. Aliás, agora até me recordo que hoje de manhã, fizemos isso. Mas tenho dúvidas se desfiz a troca da semana passada, ou se iniciei nova troca.

E tu como te dás com o teu semelhante?

 

PS - Quanto à tua dúvida sobre se Deus saberá, escrevi-lhe ontem a pedir confirmação, como mandei a carta por correio azul espero que a resposta seja rápida.

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