O Chão dos Sentidos
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O Chão dos Sentidos

Sinopse

“Por cima, a criada tinha colocado um avental de linho branco, irrepreensivelmente brunido, que emprestava ao volume doce dos seus seios virgens, uma indescritível beleza e frescura; o balanço das suas ancas redondas, quebradas e soltas, a projecção das suas nádegas, sensualmente cheias, vigorosas e firmes, onde brincava saltitante e atrevido o laço do avental, constituiam para o Padre Adolfo alguns dos traços perceptíveis da mulher visível. Perante tudo isto, o sacerdote entregava-se à aparente leitura da revista “O Século Ilustrado”, em frente à lareira, onde um monte de achas de carvalho e azinho alimentava o crepitar das labaredas doiradas, lumimosas e quentes. O pároco sentiu que começava a transpirar: o cheiro de Arnalda envolveu-o completamente, e era agora o corpo daquela mulher que irrompia das chamas, com o seu cabelo de fogo a queimar-lhe o rosto de homem solitário, a abrasar-lhe o peito onde cavalgava um coração apaixonado... E, tal como a fogueira que ardia à sua frente, se manteria acesa enquanto durassem as brasas, Adolfo continuaria a sentir o avassalador afrontamento, provocado pela presença da fêmea, cuja chama inapelável lhe torturava a mente e desfeiteava o corpo, num processo lento e gradativo que o mortificava e consumia, de forma inglória, até que voltasse a serchão. Quando a mulher passou de novo perto dele, Adolfo levantou-se num salto, agarrou o braço da criada e falou perturbado (...)"

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