Memorial de lugares e tempos

José de Almeida Oliveira

José de Almeida Oliveira

“Memorial de lugares e tempos” é um livro de memórias, um livro de viagens, um relato de histórias, eventos e peripécias de vida, uma narrativa de lugares e sítios que me marcaram, sobre pessoas que me motivaram ou me “mofinaram” em circunstâncias determinantes ou ocasionais.

O livro contem parte da vida “pública”, pouco da vida “privada” e muito pouco da vida “secreta”, a começar nos míticos lugares e tempos da infância, perpassando pelo mundo monástico do estatuto de vida clerical, abraçando posteriormente o estado laical.

A narrativa procura destacar a persistência da caminhada profissional do protagonista por lugares e tempo assinalados, através da atividade académica como aluno, professor e pedagogo; através da atividade psicopedagógica como psicólogo clínico, aconselhamento e orientação profissional; através da atividade pastoral como teólogo, pensador e ensaísta...E nesta intensa e multifacetada atividade (professor, psicólogo, teólogo) tive sempre presente a grande máxima: “Não julgues cada dia pela colheita que fazes, mas pelas sementes que plantas” ( Robert L. Stevenson,1894).

O leitor, seguindo as pegadas do protagonista, é convidado a visualizar a mundividência e estrutura da formação clerical desde o seminário ao estágio confessional, á atividade profissional, religiosa e pastoral dentro da Congregação Religiosa, com particular destaque para o período de transição do estado clerical para o estado laical (1984)...

A narrativa desenrola-se em tempos incisivos e marcantes da ação política, social, religiosa e cultural dos séculos XX e XXI.

O autor nasce a ouvir os canhões e bombardeamentos da segunda grande guerra; na infância sente na pele a ressaca da destruição, caos e miséria do pós-guerra; segue a instabilidade do “clima” de guerra fria a partir dos anos cinquenta; entra no frenesim da geração “hippy” dos anos sessenta, embalado nas melodias dos Beatles e do “Rock”, mergulhado nas agitações sociais do maio de 1968 em Paris e no “aggiornamento” do concílio Vaticano II; perpassa pelo clima de “fúria e fogo” do “verão quente” da revolução dos cravos e do PREC em 75/1974, lutando pela democracia em Portugal e a consequente integração na Europa (EU, 1986). Mais do que com a queda do muro de Berlim e do desabar do mundo soviético, o autor vibra com a queda do império português, com a independência das colónias e a inclusão dos “retornados” no Portugal europeu...

Este livro não é uma autobiografia, é, como já referi, uma narrativa de memórias, de viagens, de reflexões pedagógicas e teológicas sobre temas vitais, sobre vicissitudes da minha história; e também é, em jeito de desabafo, uma forma de “desanuviar” ou “embrulhar” alguma compressão e nostalgia do tempo que foi...

Cada vez que o leio, revejo-me como turista e protagonista de um filme “existencial” sobre o “Memorial dos lugares e tempos da minha vida”.

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