No tempo da nossa infância, apesar de a vida ser cinzenta, o céu era azul. E estava sempre ao alcance da mão!
As nuvens, tecidas do mais fino algodão, eram sempre passageiras. Num dia lá estavam penduradas num raio de sol no outro esfumavam-se ao sabor do vento.
À boleia de uma estrela cadente ou na cauda de um cometa irrequieto, os sonhos ganhavam asas e esvoaçavam com a temeridade dos verdes anos. Eram tempos agridoces. Em tudo o que faltava. Nos castigos da família. Na régua ensinada do professor.
Eram tempos de ternura. Era o olhar açucarado das nossas mães. Eram abraços partilhados. Eram juras sentidas. Eram promessas feitas.
Era a vida a borbulhar. Era o futuro a chamar.
E nós indecisos entre o aconchego seguro do que era e o desafio incerto do que poderia vir a ser.
Naquele tempo é que as estrelas brilhavam…
