O Chão de Kanâmbua

Tomás Lima Coelho

Tomás Lima Coelho

"(…) O Sol estava agora no seu ocaso tingindo o céu e as nuvens com matizes impressionantes: a enorme bola avermelhada em que se transformara indicava a direcção do mar, esse mar que já não via há tanto tempo. Como o vento estava de feição, pareceu-lhe pressentir no ar um cheiro a maresia.
Mas era apenas a imaginação, tanta era a vontade re rever o oceano.
Suspirou fundo. Kasuneka, Kunga, Katete, Kabiri, Funda, as estações sucediam-se, diferentes mas parecendo iguais, aumentando a impaciência do velho Manuel Justino. As aves, em contraluz, pareciam mover-se em câmara lenta dando a impressão de que o tempo ia parar. Era a hora do entardecer, a hora em que tudo parecia imutável, a hora em que o mundo parecia não ter tempo nem idade. E como sempre acontecia quando África lhe inundava a alma com aqueles espetáculos grandiosos, Manuel Justino comovia-se. Sentia-se privilegiado sem perceber porquê."

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