O que é a vida?
Cada um de nós é como cada qual. Todos temos carne. Todos temos alma. A primeira dicotomia existencial: carne e alma.
De facto, parece uma constatação incontornável: a nossa existência pauta-se ao longo de todo o percurso por várias dicotomias. Desde logo a primeira, para muitos, primordial: vida e morte. Depois, todas as outras lhe parecem circunscritas.
Sempre entendi a vida como um livro. Ou como um filme. Com capítulos. Com cenas. Com cenários. Com afectos. Com emoções. Com momentos fulcrais que não apenas nos determinam a circunstância como nos moldam o carácter. Mesmo nos momentos mais aziagos, há sempre um lado positivo, uma ilação a tirar, uma luz que se abre.
Mas essa capacidade irremível de vivenciarmos uma vida estética, sensível, sempre em busca de algo e de alguém, levar-nos-á impiedosamente pela rota de Satã, experienciando as mais tormentosas curvas do destino e os mais deleitosos orgasmos terrenos, sejam psíquicos sejam fisiológicos.
Parece um jugo que paira sobre nós…
