O mar nunca é triste

António Ferraz

António Ferraz

Mar de inverno

Naquela miragem já ninguém sabia

se era branca a areia, se era cinza o mar,

não havia barcos, a tarde fugia

cega de gaivotas a rumorejar;

entre as tuas mãos a chuva caía

pálida de luz do dia a findar,

e sob a folhagem molhada do dia

não sei se querias partir ou ficar.

Brilhava em teu rosto um olhar de flor,

puro como acorde de uma canção,

como um sopro ainda tímido de verão,

e o teu abraço trazia o sabor

da boca da espuma a tremer inquieta

no verso mais raro de um velho poeta!

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