Os Anjos Não Têm Asas

Etelvina Santos

Etelvina Santos

Há viagens que não se descrevem. Que fazem parte do canto mais escondido do nosso ser. São património do indizível, tal não é a mistura de sentimentos que borbulham no espírito de quem as faz.
A protagonista desta aventura, sem saber onde localizar a sua fé, pôs-se a caminho, como se diz por aqui. E, com as palavras escritas por ela, caminhámos nós, com coragem, em espanto, em dor, em desalento, mas também em harmonia com a natureza, com os seus tempos e os seus silêncios. E a viagem torna-se, inevitavelmente, espelho da própria vida, com dias de sucesso e outros de verdadeiro desânimo. Os motivos, esses são menos importantes que os factos em si.
Há viagens que não se descrevem. Muito menos as que se fazem pelos nossos próprios pés. Porque só quem viaja assim chega ao fundo do seu ser, ao âmago do seu existir, medindo a fé que os move, a coragem e o êxtase em que se transforma uma peregrinação a Santiago de Compostela.
E pelos Caminhos de Santiago tudo é possível, sobretudo, o Amor. Mas os encontros, tantas vezes misteriosos, podem transformar-se, pelas razões que a vida não explica, em desencontros, definitivos ou temporários. É esse também o mistério de uma grande parte desta narrativa. E há o chegar, o vencer e o voltar a casa (porque se volta sempre a casa) renascida.

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