Companheiro de infância
O arbusto gigante,
seu companheiro e confidente,
esperava-a todos os dias,
no mesmo lugar.
Em silêncio escutava-a.
Tinha umas bagas vermelhas que,
nas suas inocentes brincadeiras fantasiosas,
seriam brincos pendentes
nas orelhas de uma princesa.
Outras vezes (poucas!)
eram bocas num sorriso brilhante...
mas, quase sempre,
eram lágrimas sangrentas
que se derramavam
ao ouvir os seus lamentos.
