Porta Fechada

Aniladi Candimba

Aniladi Candimba

Falar deste livro é demasiado embaraçoso. Embora possa não parecer, sou tímida e portanto sinto-me inibida quando se trata de divagar sobre o que me vai na alma. Este pequeno romance é uma espécie de punhado de fragmentos de vidas, em que se fala de frustrações e de esperança.

Não obstante se diga que tudo quanto fazemos tem um pouco de autobeografia, a ideia não foi, de modo algum, citar a minha história, mesmo porque, se o fizesse, seria dramático pois não teria piada alguma.

A personagem deste texto é uma figura de espírito elevado, que procura encontrar-se em cada etapa da sua vida.

Ela não se esconde nem se protege da culpa. Inversamente, localiza todas as pontas do sofrimento, como se quisesse flagelar-se até ao mais profundo da dor.

Por vezes, a protagunista recorda o que deixou para trás e fica desconfiada, de mal com o mundo. Depois, parece lembrar-se de algo e subitamente esquece a desconfiança, tornando-se dócil.

O cómico e o grotesco juntam-se à ternura da paisagem, procurando um final feliz.

A imaginação deu a mão a pedaços de realismo desconcertante e o texto fez-se alegre e poético.

Vale a pena seguir Helena, apesar da controvérsia, apesar da aparente hecatombe.

 “Sou humilde demais! A definição de mim é extremamente difícil, por ser pouco óbvia e impessoal! Apareço nos sonhos, baloiço nas folhagens, sinto?me mordido e pisado nas rasteiras ervas que proliferam nos campos e à beira dos caminhos. Sopro no vento e brilho com o sol, enfim...

Sou tudo e, paradoxalmente, envolvo?me em insignificâncias pois represento nada de palpável e só me é dado um corpo na imaginação dos que protejo.

É aqui que me encontro a contar esta história, despida de vaidades, ajudando a consolidar o pensamento.

Se tiverem paciência de a ler, pensem em mim. Eu estarei convosco para ajudar a compreendê?la!”

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