Sentidos Pêsames

António Carlos Pereira

António Carlos Pereira

Quando há silêncio é porque o gato deixou de arranhar o sofá, a voz da vizinha não castiga os filhos irrequietos, os pássaros enrijeceram nos ramos, e é quando ouço o som do que sou. Diz-se que é o som que não abandona a concavidade dos meus ouvidos, o mesmo que amplificado pela câmara de uma grande concha se assemelha ao tranquilo som do mar. Talvez eu tenha um pouco de mar em mim, também se diz que sou essencialmente água e as minhas lágrimas são salgadas, mas eu ouço-me como a uma fonte que verte imaginação.

Utilizamos cookies próprios e de terceiros para lhe oferecer uma melhor experiência e serviço.
Para saber que cookies usamos e como os desativar, leia a política de cookies. Ao ignorar ou fechar esta mensagem, e exceto se tiver desativado as cookies, está a concordar com o seu uso neste dispositivo.