Quando há silêncio é porque o gato deixou de arranhar o sofá, a voz da vizinha não castiga os filhos irrequietos, os pássaros enrijeceram nos ramos, e é quando ouço o som do que sou. Diz-se que é o som que não abandona a concavidade dos meus ouvidos, o mesmo que amplificado pela câmara de uma grande concha se assemelha ao tranquilo som do mar. Talvez eu tenha um pouco de mar em mim, também se diz que sou essencialmente água e as minhas lágrimas são salgadas, mas eu ouço-me como a uma fonte que verte imaginação.
