À margem

Carla Melo

Carla Melo

A mistura de cheiros e odores tão característicos da Mouraria e que Marina adorava também havia ali. Ali naquele mesmo local, onde as pessoas pareciam tão di­ferentes do outro Universo de onde saíra e ao mesmo tempo tão iguais. Ali havia uma grande concentração de retornados. Fossem de Angola, Guiné, Cabo Verde ou até mesmo de Timor. Ali a diferença era aceite de forma natural, espontânea.

Por instantes, Marina fechou os olhos e por breves ins­tantes sentiu que era de novo criança. Reviveu o que havia para reviver e sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Estava finalmente em casa e disse: “um dia temos de cá vir com as crianças… sei que vão adorar ver onde a mãe nasceu, cresceu e onde aprendeu a ser gente.”



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