Se algum dia viveres em sintonia com o alívio inofensivo que te ofereço, oferece-me flores. Se num ontem provaste da esperança que te ofereci, prefiro rosas. Prefiro que escolhas, é-me prazeroso sentir que dominas o simples ato de escutar, se não adorares rosas, deixo-te escolher. Oferece-me flores. Receio que tudo o que já se repetiu não se reinicie agora, incognitamente penso na raiz da origem e depois de tudo espremido nada é concreto, permanecemos chocados, sente primeiro o cheiro e depois, a beleza do encarnado. É como melhor te podes redimir. Vê como é fácil, comprar flores. Se quiseres, bastam duas. Se preferires, prefiro um ramo. Irás experienciar o cume da transparência, vejo-te em minha fantasia a comprar-me flores e trazes um misto delas. Preferi um dia rosas, recebi o que preferiste. Mas não são rosas. Mais uma vez deixo-te escolher, oferece-me flores.
Paladar só a medo, o olfato equipara-se a receio. Creio ter boa língua,
para estar certa.
Ter a certeza,
de que se provam as flores pelo cheiro.
E por ter boa língua,
encerramos os floreados num beijo. Provamos do cheiro que uma flor tem,
que pela distância,
será esquecido.
