Ecos da Revolução: Um Diálogo com Amílcar Cabral

CESÁRIO FERREIRA DA SILVA

CESÁRIO FERREIRA DA SILVA

— Todo o guineense é irmão de outro guineense. 

Todo o guineense é pai, mãe, parceiro, filho ou neto de outro guineense.

A nossa diversidade étnica e cultural não é um obstáculo – é a nossa maior riqueza. 

Foi essa diversidade que deu músculo e alma à luta armada. 

Foi ela que nos deu a força moral para proclamar a independência sem pedir permissão. 

Ninguém pode usar o que nos uniu para agora nos dividir.

Ficámos em silêncio. O peso das palavras reverberava no ar como um sino de catedral.

Olhei nos seus olhos e algo em mim se ergueu – como chama que desafia o vento.

— É evidente, camarada Amílcar — declarei com voz firme —, a unidade nacional não é

herança nem favor: é um compromisso. Um dever que se assume, se cultiva, se defende. 

É obra diária, vigília contínua, pacto entre gerações. 

E nós, os jovens, não permitiremos, jamais, que ela seja traída ou desfeita, seja por omissão ou por ambição.

Cabral sorriu.

Um sorriso sereno e profundo, desses que reconhecem na semente a promessa da floresta.

Colocou a mão sobre o meu ombro – firme, quente, leve como bênção e convocação.

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