Eis-me

Fernando Dezena

Fernando Dezena

LEGISTA

Pedaço de carne sobre a mesa exposta! Dos cortes bem definidos vai buscando algo desconhecido. O resto de sangue, fria lápide, escorre por um cano lateral. Só a carne, apenas a carne. Do lado de fora, muitos esperam. É preciso liberar os restos mortais. Por um instante observa a pele, os pelos, os poros, pede auxílio, gira o cadáver, vê o ponto do corte. Assim o faz com maestria. O avental branco, já sujo e respingado, resguarda seu corpo. Na parede o relógio anuncia a hora de abrir.

Dona Rosinha, sempre a primeira da fila, diz:

- Bom dia, Geraldo! Quero um quilo de alcatra!

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