O Homem Couve

Graça Amaral

Graça Amaral

(…) Desde que passara a sentir-se couve, tinha deixado de tocar piano. Uma couve não tem braços, nem mãos, nem dedos. O piano passou a ter um naperon pousado sobre a caixa de madeira e uma jarra com flores em cima. Tal e qual um caixão. Estava morto. (…)

 

(…) Numa pausa entre duas músicas, o homem couve olhou para a Maria Amélia e comentou:

- O piano é um instrumento fantástico.

A Maria Amélia perguntou-lhe:

- Estudou música?

- Alguma coisa. Agora que não tenho mãos, o meu piano só é tocado pelo meu gato. – Respondeu o homem couve.

- Gosto de gatos. – Disse, murmurando, a Maria Amélia. (…)

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