O Malandro do Tempo

Francisco Caleia

Francisco Caleia

No post office onde trabalhava, insinuava-se em dotes ao cartel habitual que a visitava. O seu volume não declarado e sem aviso, entrava em viagem depois do expediente. Mantinha relações ao gosto de ser desempacotada nas mãos, sem endereço certo a outras mercadorias. Melissa está ciente do calibre que passou pela sua serventia. Arrepiada, agasalhava-se de imediato. Recreava encontros com prosas curtas aos homens que pegavam nas pegas finas da sua embalagem, aliviando-a dos vincos marcados no corpo. Chegou a abdicar do emprego para dar vazão às inevitáveis avarias. Melissa nunca entregou o seu corpo para lá do esforço já reconhecido e Sam decidiu revezar-se oferecendo-lhe uma bicicleta. O embrulho era enorme e esperava ser estreado à porta de casa.

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