Sombras sempre longas

Filipe Henz Alencar

Filipe Henz Alencar

“Deixei-me ouvi-lo, retumbante, uma marcha, o ritmo de suas frases, a simples cadência capturava minha atenção, como se diante de um exímio contador de histórias em volta de um fogo ancestral. Embora conservasse alguma familiaridade com qualquer coisa que eu tenha ouvido, o idioma me escapava quando eu tentava apreender, uma a uma, suas palavras. Somente quando fui capturado por sua sonoridade geral, como se escutasse a uma sinfonia em seu completo teor, sem ater-me separadamente a cada instrumento, consegui compreender, em meus sentimentos, o que ele dizia. Uma profusão de sons, cujas combinações me eram estranhas, sintetizaram-se genuínos, dotados do mais puro significado, além dos fonemas, e, creio eu, por essa razão, ficaram gravados em minha memória.”

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