«Pela solidificação perene das boas relações entre os Povos de Angola e de Portugal, aconselha-se a leitura das memórias de José Maria da Silva.», do posfácio, de João Miranda.
«Foram muitas as vítimas daquela guerra, que atravessam várias gerações. Ansiamos, portanto, a leitura desta obra pela terceira geração, na idade certa, para compreenderem algumas atitudes do avô, da avó e das mães, pois todos nós fomos atingidos e marcados por esse acontecimento. Não fomos à guerra, mas a guerra veio até nós e, sem sequer desconfiarmos, foi ela que nem sempre nos deixou viver em paz.
Desejamos que a leitura desta história contribua para a pacificação de muitas famílias.», do prefácio de Isabel Silva Luís e Patrícia Silva.
«Convinha dar à missão o ar de uma grande jornada de convívio entre a tropa, bem necessitada de se conciliar consigo própria, mas também mostrar aos nativos que não estávamos ali para lhes tornar a vida ainda mais complicada e que procurávamos, em paz, afastar a guerra que não tínhamos provocado, nem nós nem eles, apenas éramos, todos, vítimas da mesma cegueira.»
«O colonialismo tinha ido longe demais e agora, uma geração imensa de jovens, os de lá empinando matéria tão distante quanto distante da realidade estavam os seus algozes da civilização e os de cá deixando por lá vidas inteiras, pedaços de si mesmos, trazendo, para junto dos seus, mentes somatizadas, tanto quanto pedaços dos seus corpos foram subtraídos, aparecendo aos pais, nalguns casos, somente o que restava dos filhos.»
«Já não consigo coibir-me do que passei por esses Dembos fora, infindáveis em perigos mas incomensuráveis em riquezas de toda a ordem, que a guerra sem quartel se encarregará de destruir, desde a flora à fauna, não esquecendo, obviamente, o mais importante de tudo, os homens e mulheres válidas, que em defesa das suas dignidades vão ficando pelo caminho… Mas quero ser, mesmo correndo riscos, uma voz emergente de denúncia do que vimos e vivemos (…)»
