Murmúrio Infinito

Sofia Fonseca Costa

Sofia Fonseca Costa

Olhou-se ao espelho, depois do banho tomado. Notou que o vidro estava embaciado.

Deixou-lhe uma mensagem, como sempre faz. Pensou dar-lhe as palavras que ele lhe traz ao peito.

Olhou-se outra vez ao espelho.

Lembrou-se que nunca tinham tomado banho juntos.

Riram. Choraram. Entrelaçaram-se. Enlaçaram-se.

(...)

Pôs perfume. Aquele de que ela gosta. Agarrou no alfinete com a flor e pô-lo no peito. Aquele que ela adora.

Escreveu-lhe a mensagem.

(...)

Desceu as escadas com as mãos trémulas, a voz rasgada e a certeza de que ele não lhe vale.

Imaginou qual a reacção que ele teria ao ler a mensagem com as letras que juntou.

Chegada à rua, deixou que a chuva a regasse e o frio a embalasse.

"Amo-te mais tarde". Despediu-se dele. Do outro. Do menino das borboletas.

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